Deu branco! E agora?

Entrevista do Dr. Luiz Antonio Sá para o programa da Jornalista Marcia Peltier.

images-5

A chave do carro, onde está? Aquela atriz, aquela que fez aquele filme…? Minha nossa, a consulta com o dentista era ontem! Conheço essa pessoa de algum lugar….

Você se identificou? Saiba que não está sozinha: muita gente sofre com esses pequenos esquecimentos diários. Segundo o geriatra de Curitiba, Luiz Antonio Sá, esquecimentos assim são considerados normais, mas pode haver fatores externos interferindo nesta perda de memória.

O médico explica que, com a agitação da vida moderna, a falha ou lapso da memória pode acontecer em qualquer idade, mas não é considerada doença.

– Falta memória por atenção. Se você não tiver atenção naquilo que está fazendo, vai dar branco – contou o médico. – Mas outros fatores interferem cada vez mais na perda freqüente de memória, como a ansiedade, o estresse e a depressão, que também estão ligados à questão da atenção e concentração.

O neurologista Custódio Michailowsky Ribeiro, do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital 9 de Julho, faz coro ao geriatra e acrescenta que, para o mundo digital moderno, reter a atenção se tornou um desafio ainda maior.

– O mundo digital/virtual produz uma “tempestade” constante de informações. É impossível o ser humano retê-las e processá-las.

Para Luiz Antonio, a tecnologia, quando bem utilizada, não é inimiga da memória. Segundo pesquisas recentes, as ferramentas da modernidade podem ajudar no acesso rápido e amplo de informação e conseqüentemente, de memorização.

– O lado ruim é que, na mensagem do whatsapp, abreviar e simplificar viram hábito e isso pode levar à perda do domínio na língua portuguesa – comentou o geriatra. – Por outro lado, a tecnologia traz para a sua casa os grandes museus, mapas, enciclopédias. O manuseio da ferramenta é para o bem ou para o mal.

Custódio Ribeiro destaca que o lapso de memória é um processo ligado a diferentes fatores, como problemas emocionais, insônia, fome ou jejum e até mesmo a falta de prazer ou interesse em determinada informação que está sendo recebida.

– Sem o impulso do prazer, a pessoa nunca conseguirá reter a informação e evocá-la.

Mas há outros motivos para os esquecimentos do dia a dia: uso de drogas lícitas e ilícitas, doenças neurodegenerativas, doenças metabólicas e cardiovasculares, entre outros.

– Se a pessoa não estiver emocionalmente bem, será necessário lançar mão de recursos psicológicos e terapêuticos.

Mas qual o limite entre o esquecimento normal e uma condição patológica? O “branco” deixa de ser uma falha para virar algo preocupante quando interfere no cotidiano e bem estar do indivíduo. Custódio ressalta que, quando o lapso na memória começa a comprometer as atividades da vida profissional e do cotidiano, tais como atividades domésticas, financeira e de relacionamento familiar e pessoal, não pode, nem deve, passar despercebido.

– A prevenção pode ser feita através de exercícios de relaxamento, técnicas de organização e orientação de atividades diárias e exercício físico, de baixo impacto e longa duração, entre o período da manhã e da tarde.

Por fim, para reter na memória determinada informação, além da atenção, outro fator importante que deve ser destacado é a “malhação”. Ou seja, quanto menos a memória for trabalhada, mais ela vai falhar.

– A leitura e os jogos como sudoku são boas recomendações para os exercícios de memória. É importante manter um trabalho constante, interação com outras pessoas, alimentação saudável, cuidar do sono. Quem não dorme bem tem grande dificuldade de memória,  segundo o geriatra.

Luiz Antonio lembra que, no final das contas, a receita para manter a memória em dia segue um princípio de bom senso, se a pessoa não tem nenhuma doença.

– A regra para a boa memória é a da vida saudável. É como um músculo do corpo: deixando de ser exercitado, ele atrofia, deixando nos algumas orientações:

  • Relaxe, cuide do seu emocional. É impossível prestar atenção e reter informações se você estiver excessivamente tenso ou nervoso.
  • Cuide da sua qualidade de vida: opte por uma alimentação saudável, pratique atividade física   constante, durma bem.
  • Faça exercícios de memória. Associe fatos a uma imagem e procure guardá-los na memória. Imagine um aliamento suculento e sinta todas as suas características.
  • Cultive a atenção, fixando fatos que ocorrem durante o dia; exercite-se  mantendo a concentração, fazendo recordações para trabalhar a memória.
  • Procure manter atividade intelectual e lúdica – jogos de memória, leitura, palavras cruzadas, xadrez.
  • É importante também cultivar a interação pessoal e envolvimento sócio cultural, além de aprender novas habilidades. Ouse! 

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *